Coisas de Família.
Quando eramos crianças e meus pais trabalhavam na roça, era comum as crianças da casa ir ajudar de pois da escola.
Sendo assim minha mãe arrumava o embornal de café e a gente subia na roça pra levar.
Meu pai, homem prevenido havia feito um rancho de Sapé, para nos abrigarmos da chuva e do sol, ou pra colocar uma criança pequena para dormir.
Naquele dia chegamos na roça, gritamos por meu pai esperamos ele terminar a carreira que estava carpindo, nos distraímos com uns coquinhos até que ele chegasse com a enxada nas costas e juntos fomos tomar café, o menu: Café e batata doce cozida.
Minha irmã Neia que jamais dava uma mordida no sorvete de alguém ou para alguém, tinha a mania de guardar as guloseimas para comer depois que todos os irmão acabavam , porque assim poderia ficar "dorando" e fazendo "fusquinha" pra gente.
Esta criaturinha gorda e de pescocinho enterrado pegou uma bela batata e guardou na beira do Rancho, junto com a canequinha de café.
Quando terminamos de tomar café, as perninhas dela correram mais que depressa para tomar posse do alvo das provocações...
Ai entra um personagem da história que fez parte de nossa infância: Tigre, o cachorro vira-latas da família, que foi surpreendido saboreando a mais suculenta batata da sacola.
Ai começou o berreiro, a bichinha chorava e pulava, e quanto mais ela chorava mais nós os irmãos riamos.
Meu pai pra consolar a pobrezinha soltou uma pérola que marcaria a história da nossa infância:
" Quem guarda com fome, o Tigre vai e come.
Preciso fazer justiça com minha irmã Néia, porque embora ela não gostasse de dar mordidas nas guloseimas dos outros e nem deixar que mordessem a dela, ela era muito generosa e frequentemente dava o lanche ou o doce todo todo, só pra não ter que dar uma mordida.
Até hoje não entendio porque desta mania........

Nenhum comentário:
Postar um comentário